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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Heloisa B.P.

*PENSEI QUE SABIAM*Aug 28, '08 12:09 AM
for everyone

[Imagem recolhida na NET. Se ferir alguns interesses autoriais, retirarei com minhas desculpas.]

VERSOS DISPERSOS
ANVERSOS/"PERVERSOS"

PERDIDOS NA NOITE DA MINHA
ALMA SEM COR
_SEM RUMO_
PERDIDA NA DOR!
................

Pensei que sabiam
Como me doi, mais que dor de doenca,
Sentir reinar no meio de vos
Uma estupida desavenca!

Pensei que sabiam
Como vos quero, amando-se
SEMPRE! E, assim,
Do mesmo modo, de quando eram criancas!

Pensei que sabiam
Quao dolorido
Meu coracao tem vivido
Que me interrogo, como tem ele sobrevivido!?…

Pensei que sabiam
Que nao sao os bens materiais
Que me movem e, sao mais valia;
Mas sim, vosso Amor e a Paz do dia a dia!

Pensei que sabiam
Que nao me interessam vaidades e “honrarias”
Mas, sim VOSSO SORRISO
Dando-me os BONS DIAS!

Pensei que soubessem
Que dou preferencia a minha morte
Se me derem por “vida”
O espelho da vossa intolerancia!

PENSEI QUE SABIAM
QUE, HOJE, MEU PIOR MAL
NAO E’ VELHICE E POBREZA;
MAS , OPTAREM POR(ou)FINGIR, NAO SE AMAREM

_NAO, NAO QUERO ACREDITAR!

_PENSEI QUE SABIAM,
COMO ME DOI, MAIS QUE A DOR DA DOENCA,
SENTIR, OU PRESSENTIR,
REINAR, ENTRE VOS, UMA ESTUPIDA DESAVENCA_!

_NAO, NAO QUERO ACREDITAR!
Contudo, eis o caminho mais curto, para minha vida ACABAR_!

_NAO!_NEGO-ME A ACREDITAR_!
………………………………
.................
Escrito em 27 de Agosto de 2008.
[Noite_MAIS NEGRA QUE A NOITE_!]

Bath.
H.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Princípio, Meio e Fim [© DE João Batista do Lago]

Princípio, meio e fim

© DE João Batista do Lago


disse-me el diablo:
- rezo diariamente para o deus
peço encarecidamente
contritamente
que me livre de ti
não te o quero aqui no tártaro...
vai de retro
vai
vai
vai
não me corrompas o inferno
não quero o caos administrado


...então voltei ao sagrado
disse-me ele:
- penas como quiseres
entre céus e terras (e)
procuras teu reino e trono
acima e abaixo do mar já têm donos


manifesto:
- absurdo
como não ser como eles
como não ter poderes
vou mostrar a ambos
não sou refém da minha ambição
serei maior que os dois
terra terei por redenção


agora os dois me suplicam
el diablo: - alma alguma me quer agora
acabaram-se os encantos do tártaro...
o sagrado: - deixe-me os anjos e os santos
não os roube...
ambos então se ajoelham:
- poeta, perdoai nossos pecados
vem-nos completar a trindade
nem o uno
nem o outro
sejamos três: alteridade 

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Florbela Espanca [SONETOS]

QUE IMPORTA?..

  Eu era a desdenhosa, a indiferente.
  Nunca sentira em mim o coracao
  Bater em violências de paixao,
  Como bate no peito a outra gente.

  Agora, olhas-me tu altivamente,
  Sem sombra de desejo ou de emocao,
  Enquanto as asas loiras da ilusao
  Abrem dentro de mim ao sol-nascente

  Minh'alma,a pedra, tranformou-se em fonte;
  Como nascida em carinhoso monte,
  Toda ela é riso e é frescura e graca!
                 
  Nela refresca a boca um so instante...
  Que importa!...se o cansado viandante
  Bebe em todas as fontes... Quando passa?...
         
           
                        Florbela Espanca                         




        AMOR QUE MORRE

 O nosso amor morreu...Quem o diria!
 Quem o pensava mesmo ao ver-me tonta,
 Ceguinha de te ver,sem ver a conta
 Do tempo que passava, que fugia!

             Bem estava a sentir que ele morria...
 E outro clarao ao longe, ja desponta!
 Um engano que morre... e logo aponta
 A luz de outra miragem fugidia...

             Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
 Sao precisos amores, pra morrer,
 E sao  precisos sonhos pra partir.

          E bem sei, meu Amor, que era preciso
 Fazer do amor que parte o claro riso
 De outro amor impossivel que ha-de vir!

                Florbela Espanca



A NOSSA CASA

 A  nossa casa,Amor,a nossa casa!
 Onde esta ela,Amor,que eu nao a vejo?
 Nao minha doida fantasia em brasa
 Constroi-a num instante, o meu desejo!

        Onde esta ela,Amor,a nossa casa,
 O bem que neste mundo mais invejo?
 O brando ninho onde o nosso beijo
 Sera mais puro e doce que uma asa?

        Sonho...que eu e tu...dois pobrezinhos,\
 Andamos de maos dadas,nos caminhos
 Duma terra de rosas, num jardim,
 
          Num pais de ilusao que numca vi...
 E que eu moro--tao bom!-- dentro de ti
 E tu,o meu Amor, dentro de mim...


      Florbela Espanca



 NOCTURNO

   Amor!Anda o luar, todo bondade,
   Beijando a Terra, a desfazer-se em luz...
   Amor! Sao os pes brancos de Jesus
   Que andam pisando as ruas da cidade!

    E eu ponho-me a pensar...Quanta saudade
   Das ilusoes e risos que em ti  pus!
   Tracas-te em mim os bracos de uma cruz,
   Neles pregas-te minha mocidade!
  
Minh'alma que eu te dei,cheia de magoas,
   E  nesta noite o nenufar de um lago
   Estendendo as asas brancas  sobre as aguas!

                
   Poisa as maos nos meus olhos,com carinho
   Fecha-os num beijo dolorido e vago...
   E deixa-me chorar devarinho...
 

     Florbela Espanca


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Gênese da Morte

GÊNESE DA MORTE


© DE João Batista do Lago


Ó criatura iluminada da minha existência

Vens a mim com tua soberania imaculada (e)

Viajemos pelos túneis diversos dos tempos

Que nos revelam o espaço de novas moradas


Vens, ó doce criatura, em majestosa carruagem

Traze contigo as jovens filhas do Sol

Para podermos atravessar o mágico portal

Que nos levará à eqüidade voluptuosa do fogo eterno


Vens e traze contigo o fogo do deus Sol

Para queimarmos nosso tempo invernoso

Para que eu não retorne às casas noturnas

Onde só a escuridão e o sono são companheiros


Vens, ó santa criatura, e atravessemos os umbrais

Ainda que eles nos queiram impingir as dores

Dores do parto que haveremos de fazer (e assim)

Quebremos os grilhões de amores infaustos


Vens, ó irmã gémea, vida e morte do meu ser

Filha, como eu, do Oráculo do Saber

Templo que tudo principia – e finda! –

Casa do instante, senhor de toda democracia


Vens, ó espírito do minha alma,

Viver, não é preciso não!... Morrer toda Necessidade!...

Necessidade do Princípio sem início... sem fim

Sem as correntes que sufocam toda Verdade


Vens, enfim, ó bela e santa Morte!

Gruda-me ao peito e me carregas ao seio

Quero contigo sorver do vinho da Virtude

Quero contigo embriagar-me nas vinhas da Justiça

domingo, 10 de agosto de 2008

BOM DIA, PAI!

DE Mário Lincoln Félix

Bom dia, saudades.
Pensava eu todas as vezes que telefonava nesta data.
Mas desta vez o telefone não atendeu...

E o que vamos almoçar hoje?
Gritava da porta de entrada.
Ele, lá do fundo do corredor sorria.
Hoje seu sorriso é só lembrança.

Ficávamos horas conversando na mureta da casa,
após o almoço. Ele me ensinando a vida.
Eu aprendendo a viver...
Mas hoje, suas palavras restam em meu coração.

Peixe-pedra cozido (ensopado) com arroz branco.
Fim de domingo, um abraço apertado e um
- até amanhã...
Um até amanhã, mesmo. Deus, desta vez,
decide por mim!

Amor à flor da pele


© DE Marilda Confortin



Nossas mãos enrijecidas

insensíveis ao toque

não nos  provocam arrepios

 

nossos corpos

frascos vazios

 

o beijo no rosto

disfarça o desgosto

dos nossos lábios frios

 

não nos damos mais ouvidos

olvidamo-nos

 

nossos olhares suicidas

perdem-se

cada qual em seus vazios

 

perdemos o instinto

e os cinco sentidos

não fazem mais sentido

 

Ah! Quem diria

que nosso amor

tão à flor da pele

Nem criaria raiz…


sábado, 9 de agosto de 2008


PORQUE CANTAMOS


© DE Nacha Guevara


Si cada hora vino con su muerte.
Si el tiempo era una cueva de ladrones.
Los aires ya no eran buenos aires.
La vida nada más que un blanco móvil.
Usted, preguntará por qué cantamos.

Si los nuestros quedaron sin abrazo.
La patria casi muerta de tristeza.
Y el corazón del hombre se hizo añicos
antes de que explotara la vergüenza
Usted, preguntará por qué cantamos.

Cantamos porque el río está sonando
y cuando el río suena, suena el río .
Cantamos porque el cruel no tiene nombre
y en cambio tiene nombre su destino.
Cantamos porque el niño y porque todos
y porque algún futuro y porque el pueblo.
Cantamos porque los sobrevivientes
y nuestros muertos quieren que cantemos.

Si fuimos lejos como un horizonte.
Si aquí quedaron árboles y cielo.
Si cada noche siempre era una ausencia
y cada despertar un desencuentro.
Usted preguntará por qué cantamos.

Cantamos porque llueve sobre el surco
y somos militantes de la vida.
Y porque no podemos ni queremos
dejar que la canción se haga ceniza.
Cantamos porque el grito no es bastante.
Y no es bastante el llanto ni la bronca.
Cantamos porque creemos en la gente
y porque venceremos la derrota.
Cantamos porque el sol nos reconoce
y porque el campo huele a primavera
y porque en este tallo, en aquel fruto,
cada pregunta tiene su respuesta

If every hour came with his death. 
If the weather was a cave of thieves. 
The winds were no longer buenos aires. 
Life nothing but a moving target. 
You ask why we sing. 

If ours were without hug. 
The homeland of sadness almost dead. 
And the human heart is shattered 
before they exploded shame 
You ask why we sing. 

We sing because the river is ringing 
and when the river sounds, sounds the river. 
We sing because the cruel has no name 
and has a name change their destiny. 
We sing because the child and because all 
and because some future and because the people. 
We sing because survivors 
and our dead want Canto. 

If we as a far horizon. 
If here were trees and sky. 
If every night was always an absence 
and each awakening a misunderstanding. 
You ask why we sing. 

We sing because it rains on the path 
and we are militants of life. 
And because we can not want 
let the song becomes ash. 
We sing because the cry is not enough. 
And it's not quite crying or angry. 
We sing because we believe in people 
because we will win and defeat. 
We sing because we recognize the sun 
and because the area smells of spring 
and because in this stem, at that result, 
Each question has its answer

Se ogni ora fornito con la sua morte. 
Se il tempo è stato una caverna di ladri. 
I venti non erano più Buenos Aires. 
Vita, ma nulla di un bersaglio mobile. 
Si chiede il motivo per cui cantare. 

Se sono stati senza il nostro abbraccio. 
La patria di tristezza quasi morto. 
E il cuore umano è in frantumi 
prima di essere esploso vergogna 
Si chiede il motivo per cui cantare. 

Cantiamo perché il fiume è inanellamento 
e quando il fiume suoni, i suoni del fiume. 
Cantiamo il crudele perché non ha alcun nome 
e ha un nome cambiare il loro destino. 
Cantiamo perché il bambino e perché tutti i 
e perché alcune futuro e perché la gente. 
Cantiamo perché i superstiti 
e le nostre morti desidera Canto. 

Se noi come un orizzonte lontano. 
Se qui sono stati alberi e cielo. 
Se ogni notte è sempre stato un periodo di assenza 
e ogni risveglio un malinteso. 
Si chiede il motivo per cui cantare. 

Cantiamo perché piove sul sentiero 
e noi siamo militanti della vita. 
E perché non si può voler 
lasciare che la canzone diventa cenere. 
Cantiamo perché il grido non è sufficiente. 
E non è molto arrabbiato o piangere. 
Cantiamo perché crediamo nelle persone 
perché vincerà e sconfitta. 
Cantiamo perché riconosciamo il sole 
e perché l'area profumi della primavera 
e perché in questo stelo, a quel risultato, 
Ogni domanda ha la sua risposta



SEMIÓTICO

 

© DE João Batista do Lago

 

Ali, na taberna, dois homens se encontravam!

 

Diante deles: dois copos.

Sentados estavam em mesas diferentes;

Em cada mesa três cadeiras continuavam vazias.

A quarta eles ocupavam!

 

O homem da direita tinha um copo cheio de vinho;

O homem da esquerda um copo cheio de nada.

Ambos olhavam seus copos e seus conteúdos;

Ambos conversavam com seus objetos.

 

Lá pelas tantas os dois resolveram ir embora;

Ficaram para trás os copos vazios…

As mesas vazias…

As cadeiras vazias…

 

[...r...]

 

O homem da esquerda saiu completamente bêbedo: sóbrio!

O homem da direita saiu completamente sóbrio: bêbedo!